Um relatório recente do Financial Times aponta que o futuro CEO da Apple, John Ternus, deverá assumir o comando da empresa enfrentando dois desafios imediatos e de grande impacto estratégico. Entre eles estão decisões delicadas sobre a precificação dos próximos iPhones e a reorganização da cadeia global de manufatura, especialmente entre Estados Unidos, China e Índia.
Segundo a publicação, Ternus terá de lidar com mudanças significativas na dinâmica de custos dos componentes — em especial da memória. Historicamente, a Apple exerceu forte poder de negociação sobre seus fornecedores. No entanto, a crescente demanda por memória impulsionada por servidores de inteligência artificial alterou esse equilíbrio. A expectativa é de que o custo da memória RAM para a empresa aumente em mais de 400% até o próximo ano.
Esse avanço pode provocar uma mudança relevante na composição de custos do iPhone. Componentes de memória, que antes representavam cerca de 10% do custo total de materiais, podem passar a responder por até 45%, pressionando diretamente as margens da companhia.
Diante desse cenário, Ternus enfrentará um dilema estratégico: absorver os custos adicionais — reduzindo a margem de lucro — ou repassá-los ao consumidor, elevando o preço final dos dispositivos. Ambas as opções carregam riscos. A primeira pode gerar insatisfação entre investidores, enquanto a segunda tende a impactar negativamente a demanda.
Além da questão de preços, o executivo também deverá conduzir ajustes na estrutura de produção global da Apple. A empresa tem buscado diversificar sua manufatura, ampliando operações na Índia. Esse movimento, porém, tem gerado tensões com o governo chinês, que, segundo relatos, teria adotado medidas para dificultar a expansão da produção fora do país.
Nesse contexto geopolítico complexo, espera-se que Tim Cook, atual CEO, assuma o cargo de presidente executivo e atue como principal interlocutor político da empresa. A estratégia permitiria que Cook conduza negociações sensíveis com autoridades dos Estados Unidos e da China, enquanto Ternus concentraria seus esforços no desenvolvimento de produtos e na gestão operacional.

